Cara a cara com um pinguim: o que fazer?

Se você frequenta praias do litoral norte do estado de São Paulo, como Ilhabela, São Sebastião, Ubatuba e Caraguatatuba, saiba que um dia poderá se deparar com um pinguim (sim, um pinguim, aquela simpática ave marinha que pode nadar). As chances são ainda maiores, caso esteja por lá nos próximos meses, especialmente, entre junho e julho.

É porque todos os anos os pinguins migram da Patagônia, principalmente da parte argentina, em busca de alimento. Nesse longo trajeto pelo oceano, alguns deles acabam se perdendo do grupo e chegam até as praias brasileiras. Na última migração, o primeiro pinguim foi encontrado no dia nove de junho da temporada passada, em 2020, na praia do Itaguaçu, em Ilhabela, segundo dados do Instituto Argonauta. Até o final do período, o instituto de conservação costeira e marinha, especializado no resgate e no tratamento desses animais, recebeu 618 pinguins, sendo que mais de 370 estavam mortos.

No litoral norte, é possível encontrar pinguins (Imagem: Reprodução/ Extático)

Esses números mais que dobram quando comparados com 2019 e, inclusive, batem o recorde anterior, de 2018, quando a instituição registrou 245 pinguins encontrados. Uma das explicações pode ser a menor presença humana no litoral, devido à COVID-19. Por enquanto, a próxima temporada — que deve começar nos próximos meses — representa um ponto de interrogação para o grupo sobre o comportamento das aves.

Por que o Brasil?

Segundo a bióloga Carla Beatriz Barbosa, uma das coordenadoras do Instituto Argonauta, a espécie que chega ao Brasil é a do Pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus), encontrada na Patagônia argentina e chilena. Na América Latina, a espécie também habita as Ilhas Malvinas. 

De modo geral, os pinguins permanecem a maior parte do tempo na água durante a época não reprodutiva, ou seja, entre os meses de abril e setembro. “Nesta época, eles saem em busca de alimento se aventurando por distâncias mais longas, podendo chegar até o nosso litoral sudeste. Alimentam-se de peixes, cefalópodes (polvos e lulas) e pequenos crustáceos”, explica a bióloga Barbosa.

“É neste período que esses animais são encontrados, muitas vezes fracos, debilitados e necessitando de cuidados. Aqui na região, estes animais são encaminhados para o CRD [Centro de Reabilitação e Despetrolização] de Ubatuba ou para a UE de São Sebastião, para que depois de reabilitados sejam devolvidos à natureza”, completa.

Nessa missão, o instituto trabalha reabilitando pinguins desde 2012 em continuidade ao projeto de reabilitação, anteriormente, realizado pelo Aquário de Ubatuba, desde o ano de 1996.

Há mais de 24 anos protegendo pinguins no litoral norte de São Paulo, o instituto lista algumas instruções para seguir, no caso de encontrar uma dessas aves marinhas. Confira:

Passo a passo

  • Se o animal estiver nadando, não se aproxime;
  • Se o pinguim estiver tentando sair da água, dê espaço, porque ele pode estar cansado. Agora, se o pinguim estiver na areia, é necessário chamar uma equipe de atendimento imediatamente;
  • Nunca puxe o animal, pois ele pode se sentir ameaçado. Também não tente devolvê-lo à água, afinal ele já veio até a areia, então o animal precisa descansar e de cuidados;
  • Isole a área para manter o animal afastado de curiosos e, principalmente, de cachorros e urubus que podem atacar o pinguim;
  • Se precisar realmente pegá-lo, segure firme com a mão direita atrás da cabeça e, com a mão esquerda, apoie a barriga. Caso necessite segurá-lo, use uma toalha;
  • Muito cuidado com o bico e o mantenha afastado dos olhos;
  • Mantenha-o aquecido em caixa de papelão, envolto em uma toalha ou jornal. Caso esteja muito Sol, improvisar uma sombra pode ser uma boa alternativa até a chegada do resgate;
  • Nunca o coloque em contato com o gelo ou dentro de um isopor. Também não tente alimentá-lo;
  • Se possível fotografe, mas sem flash. Toda informação é importante para auxiliar na preservação destes animais.

Onde pedir socorro?

Para chamar o serviço de resgate de animais mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos debilitados ou mortos, é possível entrar em contato pelos números:

0800-642-3341(12) 3833-4863
(12) 3833-5789(12) 3834-1382
(12) 3833-5753(12) 99705-6506 – WhatsApp

Também é possível acessar o app Argonauta, disponível para iOS (Apple Store) e Android (Play Store). No aplicativo, o usuário pode informar sobre ocorrências de animais marinhos debilitados ou mortos em sua região, além de sinalizar sobre problemas ambientais nas praias.

Pinguins voltam para o mar

Uma boa notícia é que os pinguins resgatados podem voltar para o mar, após um período de reabilitação. Em dezembro do ano passado, 15 deles foram soltos em alto mar na região de Cananéia. “Os pinguins que foram soltos passaram por um período médio de 2,5 meses de reabilitação, receberam tratamento e manejo nutricional direcionado às necessidades específicas de cada um”, explica a médica veterinária Raquel Beneton Ferioli, do Instituto.

Após reabilitação, pinguins são devolvidos para o mar (Imagem: Divulgação / IPeC)

Como os pinguins são animais gregários —  ou seja, que vivem em grupos —, eles também devem ser reintroduzidos na natureza da mesma forma. De acordo com os especialistas, isso aumenta as chances de sobrevivência no caminho de volta, algo bastante revelante para a espécie.

Segundo o presidente do Instituto, Hugo Gallo Neto, os números de pinguins desta espécie estão declinando e, hoje, o Pinguim-de-Magalhães está próximo de ocupar um status de ameaçado. “As ações antropogênicas como a pesca predatória, o aquecimento global e a poluição por lixo e óleo são as principais ameaças a esta espécie. Desta forma, a segunda chance que tentamos dar ao reabilitar cada um destes animais, pretende ser uma pequena contribuição no sentido de reequilibrar a balança em favor dos pinguins”, afirma.

Fonte: Folha de São Paulo e Instituo Argonauta (1) e (2)

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