Como é ser gay em Vancouver? #06

É óbvio que eu não sei a resposta e peço desculpas pelos que vieram atrás do meu título polêmico-falacioso. Não posso fazer afirmações tão generalizadas a respeito daquilo que não vivo, mas posso compartilhar alguns fatos e garanto que eles são beeem evidentes. Ao ponto de chegarmos numa realidade, senão a mesma, muito similar à vida gay nas grandes cidades do Canadá.

Quem não sabe (assim como eu também demorei para descobrir), a Parada LBTQ de Vancouver aconteceu nesse final de semana, no domingo. A cidade já se preparava desde o dia em que cheguei do meu intercâmbio, no final de junho. Via alguns postes com bandeiras arco-íris, logos gay-friendly na maioria dos estabelecimentos comercias (uns adesivos discretos, mas presentes) e muitas vitrines comemorando a diversidade. Isso seria OK se elas se limitassem à notória Davie Street (rua dos gays) , mas, não. Esses sinais estavam por toda a cidade.

E por todos os jornais também. Os três jornais de maior circulação gratuitos daqui estampavam em suas capas matérias sobre a Vancouver Pride Parade.  Estavam no Metro, Westender e The Georgia Straight. É claro que nesse momentos as pautas eram sobre as comemorações e muita festa. Isso não é um problema, desde que em outros momentos também dêem visibilidade sobre temas, digamos, mais sérios. E, nas minhas primeiras semanas, por exemplo, li uma matéria sobre como programas LGBTQs e políticas estudantis nas escolas têm refletido diretamente na queda de suicídios entre esses jovens.

Para a sociedade estar disposta a discutir esses temas ainda mais no High School, que equivale ao nosso Ensino Médio, imagino que tenha sido um grande esforço e uma luta de muitos anos. Sei que aqui existe casamento civil entre pessoas do mesmo sexo desde 2005 e, se for um fiel da United Church of Canada (a Igreja do cartaz), você poderá se casar dentro dela com a mesmíssima cerimônia dos outros casais. Os homossexuais podem servir abertamente o serviço militar desde 1992. Ainda podem adotar filhos ou se beneficiarem da fertilização in Vitro.

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A vida parece um paraíso e o cenário ideal dessa cena paradisíaca é a Davie Street, em Dowtown. A rua é enorme e repleta de estabelecimentos comerciais voltadas à principio para gays e, hoje, majoritariamente continuam assim, mas isso não impede de serem frequentados por inúmeros casais heterossexuais. Principalmente nas baladas, entre elas a Celebrities e a The Junctions, onde o pop lidera à pista, ao lado de Drag Queens e seus lip Syncs. Ahh a rua também tem seus pubs, cabelereiros e os petshops (e pelo visto os cachorros são paixão nacional, olha essas fotos da parada).

A rua termina na English Bay, uma praia que é parada obrigatória para qualquer visitante, ao lado do Stanley Park, e esse foi o palco da parada. Nesse ano, com o lema “Together, We’re better”. Vale comentar que ela acontece num esquema bem diferente do qual conhecemos no Brasil, onde as pessoas seguem trios elétricos com músicas e dizeres de ordem. Aqui não, o público fica parado (sem grades), respeitando a divisão entre a calçada e a rua, enquanto carros e pessoas desfilam. Dá uma conferida no vídeo mais adiante!! Aí estão todos, desde empresas como a Fido, passando pelos clubes noturnos, os shoppings como o Pacific Centre e entidades como professores na luta pela diversidade.

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Justin Trudeau na Parada // Foto de Brasil Post

Teve também uma presença mais que ilustre, a do primeiro ministro do Canadá Justin Trudeau com sua esposa. Eles desfilaram sorridentes e espalhando simpatia por todo o trajeto. Como ele não era uma figura muito familiar para mim, no início não entendia a comoção que ele despertava nas pessoas. Mas aí é só pensar: Imagina sentir que a maior autoridade do seu país te apoia e te aceita como você é? Aqui não posso fugir de uma comparação com o Brasil, onde mesmo políticos progressistas negam a solidariedade com o público LGBTQ.

E solidariedade foi uma palavra que não faltou nesse domingo. Pela proximidade dos Estados Unidos e pelo o que significou o atentado à casa noturna Pulse, na Flórida. Todas as vítimas foram homenageadas e tiveram seus retratos carregados por todo o trajeto.Talvez, num lembrete de que se hoje vivem tempos de liberdade e apoio, eles não devem se esquecer que estão numa situação privilegiada bem diferente da esmagadora maioria dos homossexuais. Estes sem nem mesmo os direitos mínimos, como a vida.

Felizmente, aqui a realidade é outra e essa comemoração é para todos os canadenses. Lógico que a maioria dos presentes eram gays, lésbicas, transexuais e queers, mas também estavam presentes muitos heterossexuais e crianças. E o mais inusitado é a diversidade daqueles que desfilavam. Tinham jovens, adultos e velhos. E os corpos também não eram tão padronizados, muitos “magros demais” ou “gordos demais”. Todos estava ali desfilando sem medo de serem felizes.

Está aí um bom fim para o meu post, não ter medo de ser feliz. É a principal descrição do que entendi como é a vida gay em Vancouver. Não sei como de fato as coisas funcionam. Por exemplo, não tenho dados sobre diferenças salariais ou dificuldades em se conseguir um emprego entre essa minoria. Muito provavelmente, existam e sejam muitos problemas, mas até aí em que lugar isso é uma nulidade? Não sei e, aos meus olhos, aqui se tem uma vista maravilhosa para o Vale dos Homossexuais. Melhor, é um resort cinco estrelas ♦

3 comentários sobre “Como é ser gay em Vancouver? #06

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