Passeando pela China(town) #04

 

 

Chinatown, o bairro chinês de Vancouver, faz parte do meu cotidiano. Passo por ele todo começo de manhã e todo fim de tarde. Uma pena que quase sempre estou de ônibus e pelas grandes janelas do coletivo só observo. De tanto imaginar, tinha chego à conclusão de que o lugar era incrível. Ele de fato é, mas por outros motivos. Juraria, por exemplo, que compraria as coisas mais estranhas e exóticos nessas lojas, como a Blim (a loja da foto).

Dá uma olhada para essa vitrine. Para mim, sairia daí com mais informação que qualquer desfile do Jeremy Scott e eu amaria que isso fosse verdade, mas tudo não passa de fachada. As roupas não eram da melhor qualidade e custavam uma pequena fortuna com a desculpa de que tudo era desenvolvido por artistas locais. Se isso é verdade, hora de expandir esses horizontes. Muita ideia divertida, sem o acabamento adequado. E no fim, a vendedora ainda me perguntou de onde era minha mochila. Imaginarium, minha querida! #EsperandoMeuPatrocinio #FicaADica.

 

 

Eu fiquei muito decepcionado. Eu sonhava com essa loja e não tinha como eu não ficar ranzinza. Aí já sabia que meu dia ia ser qualquer coisa e precisaria de qualquer forma escrever um post sobre a região. Aproveitei para fotografar as ruas, que são realmente um charme. Esses postos vermelhinhos são adoráveis e, se vocês prestarem atenção, notarão um dragão dourado, outro encanto!

As ruas estão repletas de 1,99 chineses e esses repletos de bugigangas. Se tiver paciência, dá para barganhar peças interessantes. Além de que as lembranças mais baratas da cidade estão aí. Esses estabelecimentos batem qualquer oferta e nesse aspecto apresentam os mesmos produtos das lojas centrais (Downtown). Dica importante: Fora da rua principal existem souvenirs ainda mais em conta (pena que descobri isso tarde demais 😦 ). Fiz a festa das lembrancinhas e quem sabe alguém que está me lendo foi recordado. Nunca se sabe, não é mesmo?

 

 

Só que nós, brasileiros, nos conhecemos. Eu, pelo menos, nunca desisto no primeiro não. Eu continuei entrando em cada loja que eu via. Na maioria, só encontrava aqueles enfeites “descartáveis” até que encontrei uma loja especializada em plantas e luminárias chinesas, a Bamboo Village. São super fofas (e baratas) essas luzinhas e só fiquei pensando em dar uma festa temática, mas como sabia que não ia acontecer tão cedo, eu me controlei. Nada de tirar o cartão da carteira #FuiForte #MasJaEstavaPobre.

Então, descobri uma loja de quadros pintados à mão. Isso mesmo!! Para cada tela existe uma “matriz oficial” e são feitas inúmeras reproduções a partir dela, mas cada uma possui uma pequena (ou grande) variação. Todas as imagens são delicadas e com uma paleta de cores suaves. O único destaque é o vermelho, esse onipresente. Ainda não entendo esse tamanho culto por essa cor. Está nos quadros, nas roupas, nas ruas, mas eu não gosto 😦

 

 

O bairro ganhou cores e eu já tinha superado minha bad vibes. Mais feliz, comecei a tentar conversar com os vendedores. Nesse caso, o verbo está mais do que correto. Primeiro porque meu inglês não é tão bom. Segundo, a maioria dos comerciantes só falava chinês. Assim, foi uma experiência maravilhosa brincar de mímica e não estou sendo irônico. No meio da brincadeira, acabei provando diversas especiarias e nem soube o que era. Quase tudo muito picante.

Conheci também as famosas casas de chá. Nelas os tipos mais comercializados são: o chá verde, o chá de Jasmim e o chá de lichia. E, sim, eu consegui entender alguma coisa para quem está duvidando das minhas capacidades. Além disso, as pessoas têm muita vontade de explicar sobre sua cultura, ainda mais se você demonstrar interesse em comprar algum produto. Fica um outro segredinho, só aborde o vendedor segurando suas “futuras compras”.

 

 

Talvez, esta tenha sido minha maior surpresa. Lojas de feitiçaria existem e comprei a poção do sucesso e da VINGANÇA. Por isso, acho de bom tom meus leitores compartilharem meu texto com todos os seus coleguinhas e só falarem bem de mim em nas redes sociais. Fiquei sabendo que uma maldição invocada pelos poderes dos morcegos e dos cavalos-marinho dificilmente é quebrada e ocasiona infinitos desgostos.

Minhas ridículisses à parte, essas fotos são reais, mas pertencem a uma espécie de “farmácia tradicional” onde se compra os ingredientes de “remédios”, além disso estava presente, inclusive, um curandeiro/médico. Se entendi bem, os cavalos-marinhos são bons para aliviar doenças respiratórias. De qualquer forma é muito estranho e, realmente, me senti num lugar exótico e com pena.

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Alguém pensa ser esse um lugar legal??

E finalmente chegamos a melhor parte de nosso destino: O Dr. Sun Yat (Sen Park). Isso não é mais um outro curandeiro, mas, sim, um jardim chinês. Ele é tão escondido e pequenininho que muitos moradores daqui, com os quais conversei, nem sabiam de sua existência. O lugar é no meio de uma “vila”e, de fora, parece uma escola de artes marciais (nem eu sei porque acho isso). Só que em seu interior habita um outro mundo. Se imagine no meio de uma rua muito barulhenta. Carros, motos, buzinas, pessoas, … E de repente um grande silêncio. Agora, o canto de passarinhos, o barulho típico das libélulas, o som da aguá e uma música folk chinesa.

O jardim também não deixa de ser um deleite para a visão. Um grande lago vive em seu centro e ele está carregado de plantas aquáticas e lindas flores brancas. Passeiam por essas mesmas águas enormes carpas coloridas, algumas tartarugas e patos. Olhando para o horizonte, árvores floridas com as mais diferentes cores e longilíneos bambus, todos atravessados pelos voos das borboletas. Um paraíso em que se respira a sensação de plenitude. Ficaria horas aí e acabei mesmo passando boas horas lendo nesse lugar.

Numa tentativa de cinegrafista fiz meu registro dessa joia Chinesa. Espero que vocês consigam sentir um pouco da atmosfera para a qual esse lugar me transportou. E essa foi uma daquelas experiências  em que me senti muito  grato por ter dado uma segunda chance. Às vezes não é na primeira vez em que nos apaixonamos por  Chinatown… ♦

3 comentários sobre “Passeando pela China(town) #04

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