Canada Day #02

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Nesta última sexta-feira, primeiro de julho, milhares de canadenses saíram às ruas carregando bandeiras de seu país e vestindo as cores vermelho e branco. A população estava concentrada em Downtown e reivindicava o fim da corrupção, dos partidos políticos e do zika vírus  e comemorava o Canada Day, um dos mais importantes feriados nacionais. Com direito a shows, desfiles, queima de fogos e mega-promoções nas lojas.

É nesse dia que se comemora o aniversário do país. Afinal foi nessa data, há milhares de dias atrás, que o Canadá conquistou sua independência da Inglaterra (embora até hoje a Rainha Elizabeth II esteja estampadas nas suas moedas) por meio de um governo autônomo e local. Vem aqui uma curiosidade: o feriado não foi sempre bem aceito pelos canadenses. Durante muitos anos, eles se sentiam ainda parte da metrópole e não entendiam a necessidade dessa festa #PraNossaAlegriaIssoMudou .

 

 

As comemorações, no final, dizem muito sobre a forma como a qual os canadenses se enxergam. Se por muito tempo eles preferiam se nomear ingleses, hoje, uma considerável parcela deles tem orgulho de sua independência e também são orgulhosos de suas origens. Isso foi visível na parada que assisti na Georgia Street. Lá estavam todas as nações com alguma representatividade na comunidade local e essas apresentavam suas tradições para os presentes. Como um grupo representando os países latinos (que dançavam até capoeira), o bairro Chinatown era o mais numeroso com seus números que remetiam a cultura chinesa e até os Sírios se aproveitaram do espaço para protestar pela liberdade de seu país.

Estiveram lá também um numeroso grupo de senhoras e senhores de kilt quadriculado dançando músicas escocesas. A população cigana estava com um grande sorriso estampado no rosto e chacoalhando seus adereços. Uma outra ala era exclusiva para o público LGBT, a qual era acompanhada por inúmeras bandeiras arco-íris. Vale ressaltar que todas as gerações participavam, desde as crianças até os mais velhos. E, além disso, não poderia faltar os militares com sua bandinha (como no nosso primeiro de setembro).

 

 

No meio dessas comemorações cívicas, sempre existem aqueles sem paciência ou desinteressados. Aqui não é diferente, mas essas pessoas também saíram às ruas. Todos os espaços verdes estavam ocupados por famílias fazendo piqueniques ou amigos, simplesmente, conversando.  Existia também aquele momento foto para o Instagram. Eram sensações entre as câmeras alguns policias caracterizados com roupas típicas (como na foto) e as bandeiras do país.

No entanto, o que mais me surpreendeu foi a “feirinha da maconha”, na Hornby Street. Quando avistei aquele aglomerado de pessoas, já tinha aberto um sorriso no rosto, pensando ser uma venda de usados e antiguidades #adoooro. Me aproximando mais, percebi que o único produto comercializado ali era a erva e em todas as suas formas, diga-se de passagem. A praça, então, era tomada pelo seu cheiro característico e pelo som de alguns cantores de hip-hop. E mais interessante é que por ser legalizada aqui, todo o movimento era acompanhado por autoridades.

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O encerramento da noite ficou por conta dos tão aguardados fireworks (fogos de artificio) no Canada Place. Ali, na orla do mar, todos estavam aglomerados e esperavam por muito tempo o anoitecer. Já que, no verão, só escurece por volta das 22 horas. E quando o tão aguardado momento chegou, não durou mais de 15 minutos e todos os fogos saiam de um mesmo ponto. No fim, essa acabou sendo uma das minhas maiores frustrações. Talvez, porque eu tivesse altas expectativas e pensasse em algo similar ao Rio no ano-novo.

Independente disso, o saldo do dia foi muito positivo. E de fato perceber tantas nações convivendo de maneira amigável e cada qual respeitando/interagindo com a cultura do outro foi emocionante. Ao assistir à parada fiquei com aquele pensamento: imagina se o mundo todo pudesse ser assim?! Não sou tão romântico ao ponto de pensar que não existem conflitos aqui. É, claro, que existem e nem sei de quais formas acontecem, mas sei também que existe o respeito. O que sempre nos dá esperança ♦

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